Crônicas Destaques

Crônica: 14:47.

26 de agosto de 2015

Quando eu te vi na rua, distante e distraído, de longe soube que naquele instante minha vida mudaria. Eu tinha a escolha de desviar o olhar e continuar andando pro lado oposto como se nada tivesse acontecido, mas isso não era possível. Porque aconteceu… Aconteceu que minha alma se encontrou de repente sob a tênue linha onde o tudo e o nada se encontram, a mesma linha onde fica o amor e a indiferença. Onde os opostos estão lado a lado. Eu escolhi ir ao seu encontro.
Senti milhares de sensações e isso não era fácil de ser ignorado. Naquele momento senti como se eu nunca fosse esquecer o seu rosto, ou o jeito com que você olhava pro chão enquanto chutava uma pequena pedra. Não me pergunte como pude captar tanta informação em tão pouco tempo. Talvez o segredo seja que o tempo sempre para quando duas almas que tem que se encontrar, finalmente se encontram. O universo conspira, os astros ficam a favor.
Então, nos seguintes segundos que você levantou o olhar do chão, moveu o corpo na minha direção e rapidamente me dirigiu três palavras fatais, das quais eu já sabia antes mesmo que emitisse o som: “Que horas são?”. Não soube responder na hora, meu rosto esquentou, senti uma leve tontura. Você colocou a mão sobre meu braço e perguntou se estava tudo bem. E de uma forma estranha, estava.
Eu quis dizer que estava passando mal de tão bem. Mas me contentei em dar um sorriso constrangido e dizer “Obrigada”, a primeira palavra que me veio a mente. A sua cara de confuso foi muito engraçada, você não fazia ideia do porque do agradecimento, você não tinha ideia de quem eu era. E era eu. Eu, a pessoa que tinha passado dias pensando naquele encontro e nas três palavras. Eu, que me sujeitei a ideia maluca de marcar um encontro com um desconhecido. Eu que não sabia nada sobre ele, apenas que ele já tinha perguntado as horas pra todas as moças que tinham passado por ali desde o meio dia. E nenhuma delas tinha dado a resposta que ele esperava.
Você continuou me olhando, mas foi como se você entendesse tudo naquele momento. Abriu um sorriso, sorri em sincronia. Agora minha alma estava certa de que tinha feito a melhor escolha. Ele tirou a mecha de cabelo que voou pra frente dos meus olhos e repetiu com mais ênfase dessa vez: “Você sabe que horas são?”
– Sim, é a hora certa.

E a certeza que fica é que a hora certa sempre chega, mesmo depois de uma frustrante espera.

Thai.

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